Relatórios internacionais acendem alerta: Brasil segue mal posicionado em paz, crime organizado e risco de violência

Índice Global da Paz coloca o país na 130ª posição entre 163 nações; no ranking de crime organizado, Brasil aparece entre os piores do mundo; e no Conflict Index da ACLED, entra no Top 10 global de violência, em um retrato que mistura criminalidade urbana, disputas territoriais e pressão sobre o Estado.

Esta matéria tem um objetivo direto: informar o leitor com base em relatórios internacionais de referência, que ajudam a medir risco, violência e capacidade institucional. Os números variam conforme a metodologia, mas a direção é consistente: o Brasil continua mal avaliado em indicadores globais de paz e segurança pública — e isso não é detalhe estatístico, é sinal de alerta.

No Global Peace Index (GPI) 2025, produzido pelo Institute for Economics & Peace, o Brasil aparece na 130ª posição entre 163 países, com score 2,472 (quanto maior, menos pacífico). O dado coloca o país na parte de baixo do ranking mundial e também entre os piores da América do Sul: no recorte regional, o Brasil figura como 9º de 11 na região, à frente apenas de Venezuela e Colômbia. O próprio relatório explica que o índice usa 23 indicadores distribuídos em três domínios — segurança e proteção social, conflitos em andamento e militarização — e funciona como um termômetro comparativo do ambiente de paz.

O segundo recorte, mais específico, é o Global Organized Crime Index (GI-TOC), que mede criminalidade organizada e resiliência do Estado. No perfil do Brasil, o índice aponta criminality score 7,07 e o país como o 14º pior do mundo entre 193 nações (com deterioração indicada no comparativo do período). O relatório descreve um ecossistema criminal com forte presença de redes locais e conexões transnacionais, citando a atuação de facções e a complexidade de rotas e mercados ilícitos. O resultado ajuda a explicar por que, mesmo quando há oscilações em indicadores como homicídios, o problema estrutural permanece: crime organizado não é só violência — é controle territorial, infiltração econômica, lavagem de dinheiro e captura parcial de instituições.

Já no ACLED Conflict Index (2025), que ranqueia os conflitos mais severos com base em eventos e quatro indicadores (letalidade, perigo para civis, difusão geográfica e fragmentação de grupos armados), o Brasil aparece entre os países com violência mais grave do planeta, ao lado de nações em guerra e colapso institucional. Em reportagem baseada no ranking, a CNN Brasil informou que o país ficou na 7ª posição do índice em 2025, atrás de lugares como Palestina e Mianmar. O ponto mais duro desse dado é a mensagem embutida: a violência de facções e disputas por território pode elevar o “nível de conflito” a patamares comparáveis aos de zonas de crise, ainda que o Brasil não viva uma guerra convencional.

É importante qualificar: esses rankings não substituem estatísticas oficiais internas nem explicam tudo sozinhos. Mas, quando três fontes diferentes — com métodos distintos — convergem para um quadro parecido, a leitura prudente é que há um problema persistente de segurança que atravessa governos, políticas e ciclos econômicos.

O Brasil convive, simultaneamente, com três pressões: criminalidade urbana (que afeta rotina e percepção de segurança), crime organizado (que disputa mercado, território e Estado) e violência territorializada (que cria bolsões de medo e instabilidade). A consequência é conhecida: restrição de liberdade no cotidiano, custo econômico, sobrecarga dos serviços públicos e erosão da confiança nas instituições.

O debate sério, a partir desses relatórios, não é “apontar o dedo” — é reconhecer que o país precisa de políticas de segurança com continuidade, foco em inteligência, investigação, integração entre forças, combate ao poder financeiro do crime e uma atuação mais robusta contra economias ilegais que sustentam redes criminosas. Sem isso, a estatística vira rotina — e a rotina vira normalização.

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