A escalada dos impostos no Brasil e a conta que sempre sobra para o cidadão

De combustíveis a compras internacionais, passando por importações e novas regras setoriais, o país soma aumentos e cria novas cobranças — enquanto dívida e déficits seguem pressionando o bolso de quem produz e consome.

O Brasil convive há anos com uma carga tributária elevada — e, para o cidadão comum, a sensação é de que o roteiro se repete: sempre aparece uma nova cobrança, um reajuste, uma “correção” ou uma mudança regulatória que, no fim, encarece a vida real. Não importa se o imposto nasce com a justificativa de “equilíbrio fiscal”, “proteção da indústria”, “saúde pública” ou “ajuste de mercado”: quem paga é a sociedade, no preço do alimento, do combustível, da energia, do frete e de praticamente tudo que depende de transporte e logística.

Um compilado de medidas e movimentos recentes ajuda a ilustrar o tamanho do problema — e, principalmente, como ele se espalha por setores diferentes ao mesmo tempo. Em 2023, por exemplo, houve a reoneração dos combustíveis com a volta de PIS/Cofins para gasolina e etanol, via MP 1.163/2023. E esse tipo de aumento é particularmente sensível num país onde o transporte rodoviário pesa no custo de produção e distribuição.

No campo de importações, o governo também apertou. Um caso emblemático foi a elevação temporária do imposto de importação para produtos de aço e ferro para 25%, medida aprovada no âmbito da Camex/Gecex para um conjunto de itens — com impacto potencial em cadeias que vão de construção civil a bens industriais. Já no varejo, entrou no radar do consumidor a taxação de compras internacionais de até US$ 50, com cobrança de 20% de imposto de importação prevista no regramento aprovado em 2024 — um marco que encerrou, na prática, a sensação de “isenção garantida” para essa faixa.

Há ainda as movimentações sobre veículos eletrificados. O cronograma de retomada e elevação de alíquotas para carros elétricos e híbridos importados vem sendo noticiado como progressivo, com retomadas e aumentos por etapas, até chegar a 35% em julho de 2026 para veículos prontos, conforme reportado a partir de tabelas divulgadas/explicadas com base em informações do MDIC e cobertura especializada. O resultado prático é previsível: ou o preço sobe, ou o importador “antecipa estoque”, ou a indústria corre para nacionalizar parte do processo — e o consumidor paga a conta de um jeito ou de outro.

Em paralelo, outras frentes avançam por regulamentações e projetos setoriais. A tributação das apostas esportivas (quota fixa), por exemplo, foi estruturada por lei e gerou uma nova camada de cobrança sobre o setor — e também sobre os prêmios recebidos pelos apostadores. No universo corporativo, mudanças em Juros sobre Capital Próprio (JCP) e a discussão de novas incidências sobre rendimentos e distribuição de lucros entram na lógica de “aumentar arrecadação” — com reflexo no ambiente de investimento e no custo do capital.

E aí está o ponto central desta análise: quando a arrecadação cresce e, ainda assim, a máquina segue pressionando por mais receita, o sistema se acostuma à solução mais fácil — cobrar. O país soma déficits, dívida elevada e despesas rígidas, e a resposta recorrente tem sido aumentar o peso do Estado no bolso do cidadão, muitas vezes sem entregar serviço público equivalente em qualidade.

Do ponto de vista econômico, existe uma verdade simples que muitos evitam dizer com todas as letras: empresa não “absorve imposto” por altruísmo. Imposto vira custo. Custo vira preço — ou vira corte. Se não dá para repassar integralmente, reduz investimento, reduz expansão, reduz contratação. Por isso, discutir tributo não é discutir “contra empresa” ou “a favor do governo”: é discutir custo de vida, emprego e competitividade.

A pergunta que não quer calar
Se o Brasil já cobra tanto e segue com dívida alta, déficits recorrentes e serviços públicos frequentemente aquém do necessário, a questão que fica é direta: até quando o cidadão vai conseguir suportar esse modelo?

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