Bahia e Ceará acendem sinal de alerta para o PT em 2026

Pesquisas recentes mostram dificuldade do PT em dois estados estratégicos do Nordeste e sugerem que, mesmo em redutos historicamente favoráveis ao campo lulista, a disputa de 2026 pode ser bem mais dura do que o partido gostaria.

Imagem gerada por IA

Dois estados fundamentais para o mapa político do PT começam a emitir um sinal que o partido não pode ignorar. Bahia e Ceará, tradicionalmente centrais para a força eleitoral do lulismo no Nordeste, apresentam neste momento um quadro diferente do padrão que marcou os últimos ciclos. E isso importa não apenas para as disputas locais, mas também para o ambiente da eleição presidencial de 2026.

Na Bahia, a novidade é mais dura para o grupo governista. Pesquisa Séculus divulgada nesta semana mostra ACM Neto com 48,28% das intenções de voto para o governo estadual, contra 31,15% do atual governador Jerônimo Rodrigues. O levantamento ouviu 1.535 eleitores em 72 municípios baianos e é apresentado como a primeira pesquisa do instituto em 2026 sobre a disputa estadual.

O dado ganha peso político porque a Bahia é um dos estados mais simbólicos para o petismo. O PT governa o estado desde 2007, numa sequência que passou por Jaques Wagner, Rui Costa e agora Jerônimo Rodrigues. Além disso, na eleição presidencial de 2022, Lula venceu a Bahia com ampla margem, consolidando o estado como um dos pilares de sua votação nacional.

No Ceará, o cenário é um pouco menos adverso ao PT, mas igualmente preocupante. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em março mostra Ciro Gomes com 44,5% das intenções de voto para o governo estadual, contra 35,3% de Elmano de Freitas. A vantagem é superior a nove pontos percentuais, embora menor do que a observada na Bahia entre ACM Neto e Jerônimo. O levantamento foi realizado entre 25 e 28 de fevereiro, com 1.500 eleitores em 67 municípios, e margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

Também não se trata de um estado qualquer no tabuleiro nacional. Em 2022, Elmano foi eleito governador no primeiro turno, e Lula teve desempenho fortíssimo no Ceará, estado em que venceu em todos os municípios no segundo turno da disputa presidencial. Isso ajuda a mostrar por que qualquer enfraquecimento do campo petista ali merece atenção redobrada.

O que essas duas pesquisas indicam, neste momento, não é derrota consumada do PT, mas desgaste relevante em territórios onde o partido ou seu campo político costumavam largar com mais conforto. Na Bahia, Jerônimo aparece claramente atrás. No Ceará, Elmano segue competitivo, mas já não transmite a mesma folga que se esperaria de um governador em estado tradicionalmente favorável ao lulismo. Essa leitura decorre diretamente dos números dos levantamentos.

Politicamente, isso pode ter reflexo direto na eleição presidencial. Bahia e Ceará não são apenas estados grandes em população e eleitorado; são também peças centrais na engenharia eleitoral do Nordeste, região historicamente decisiva para o desempenho de Lula e do PT em disputas nacionais. Se o partido entrar em 2026 tendo de defender terreno em vez de apenas administrar vantagem, a pressão sobre a campanha presidencial tende a aumentar. Essa é uma inferência sustentada pelo peso eleitoral dos dois estados e pelo histórico recente de votação do lulismo na região.

Em resumo, o recado das pesquisas é claro. Em dois estados importantes e historicamente favoráveis ao petismo, o cenário já não é de conforto automático. Na Bahia, o alerta é forte. No Ceará, ele já está aceso. E, quando isso acontece no coração eleitoral do Nordeste, o impacto potencial vai muito além das fronteiras estaduais.

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