Brasil negativado expõe o tamanho do aperto de famílias e empresas
Com 81,7 milhões de brasileiros inadimplentes e endividamento das famílias em nível recorde, o país entra em 2026 sob um cenário de renda pressionada, crédito caro e dificuldade crescente para sair do vermelho.

O Brasil vive um novo retrato do sufoco financeiro. Dados divulgados em março pela Serasa mostram que o país chegou a 81,7 milhões de inadimplentes, no recorte mais recente disponível, referente a fevereiro de 2026. Isso significa que 49,9% da população adulta estava com o CPF negativado, o maior nível da série histórica do indicador.
O dado, por si só, já é alarmante. Mas ele fica ainda mais grave quando se observa que a inadimplência não aparece isolada. A CNC informou que o endividamento das famílias bateu recorde em fevereiro de 2026, alcançando 80,2% dos lares pesquisados. Ao mesmo tempo, 29,6% disseram ter contas ou parcelas em atraso, num sinal claro de que o crédito segue sendo usado como compensação para uma renda que não consegue acompanhar o custo de vida.
A combinação de juros elevados, inflação ainda pressionando o orçamento e restrição ao crédito ajuda a explicar esse quadro. A própria Serasa mostra que o volume de dívidas cresceu 43% em dez anos, e o valor médio devido por consumidor subiu para R$ 6.598,13. Em outras palavras, o brasileiro não está apenas mais endividado; está também devendo mais.
O perfil etário dos inadimplentes reforça a dimensão social do problema. Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, a maior fatia está na faixa de 41 a 60 anos, com 35,6%, seguida pelo grupo de 26 a 40 anos, com 33,4%. Ou seja: o peso maior recai justamente sobre a população em idade mais produtiva, aquela que normalmente concentra responsabilidades familiares, despesas fixas e maior dependência de crédito para manter o padrão mínimo de consumo.
E o problema não para nas famílias. A inadimplência corporativa também fechou 2025 em patamar recorde. Segundo a Serasa Experian, o ano terminou com 8,9 milhões de CNPJs negativados, o maior número da série histórica, somando R$ 213 bilhões em dívidas. Isso mostra que a fragilidade financeira já não está apenas no bolso do consumidor, mas também no caixa das empresas.
Esse quadro ajuda a explicar por que o debate sobre renegociação voltou ao centro das discussões. O Desenrola foi uma tentativa de aliviar a pressão, mas os números mostram que o problema estrutural continua. Quando quase metade da população adulta está inadimplente, mais de 80% das famílias têm dívidas e quase 9 milhões de empresas também estão no vermelho, o país deixa de enfrentar apenas um problema de crédito. Passa a lidar com um problema econômico e social de grande escala.
No fim, o Brasil entra em 2026 com um retrato incômodo: famílias pressionadas, empresas fragilizadas e um sistema de crédito que, em vez de impulsionar consumo e crescimento, virou para milhões de pessoas uma armadilha difícil de abandonar.
#Economia #Inadimplencia #Endividamento #Brasil #Serasa #CNC #Credito #FamiliasBrasileiras #Dividas #Empresas #CenarioEconomico #Juros #CustoDeVida #Hastegs
