Lunelli Participações — de Guaramirim à moda com significado que ganhou o Brasil
Uma reportagem da série “Gigantes de SC”

Em 1981, em Guaramirim (SC), um sonho de família virou empresa — e depois virou cultura. Foi ali que Antídio Aleixo Lunelli e Beatriz Ender começaram a construir o que hoje se conhece como Lunelli, com uma ideia que parece simples, mas é difícil de sustentar por décadas: fazer moda com qualidade, constância e respeito pelas pessoas. O nome original era Lunender, e, desde o início, havia a ambição de entregar excelência — peça por peça, coleção após coleção.
O crescimento veio com método: ampliar capacidade produtiva, profissionalizar gestão e, principalmente, transformar indústria em portfólio de marcas. A Lunelli deixou de ser apenas “uma confecção” para se tornar um grupo com identidades próprias — do feminino ao masculino, do infantil ao surfwear — reunindo marcas como Lunender, Lez a Lez, Alakazoo, Hangar 33, Fico e Vila Flor. Parte dessa trajetória também é feita de escolhas estratégicas: Fico (marca nascida em 1983) passou ao grupo em 2019, e a Vila Flor se consolidou como a marca que materializa uma agenda de circularidade e acesso.
Há marcos que funcionam como viradas de fase. Em 2011, o grupo foi formalizado como Grupo Lunelli, e a Lunender passou a ser o nome da marca feminina (não mais da empresa como um todo). Em 2012, nasceu a Hangar 33, com DNA ligado à aviação e uma proposta clara para o público masculino. E, antes disso, em 2006, a criação da Lez a Lez ajudou a consolidar o grupo no universo de moda feminina com identidade própria e presença nacional.
A escala que sustenta essa arquitetura é grande — e bem pouco romântica: fábrica, máquina, corte, costura, estamparia, lavanderia, logística, qualidade. Em páginas institucionais das marcas do grupo, a Lunelli aparece com 16 fábricas, cerca de 4,9 mil colaboradores e uma estrutura na casa de 175 mil m², produzindo dezenas de milhões de peças por ano. É uma engrenagem que atravessa estados — com fábricas em Santa Catarina, São Paulo, Ceará e Paraguai — e que só funciona quando processo e gente andam juntos.
Nos últimos anos, o reconhecimento também veio pela régua ESG. Em 2025, a Lunelli obteve a Certificação Sistema B (B Corp) e passou a integrar um grupo raríssimo no setor: segundo entrevistas e reportagens locais, estava entre as pouquíssimas marcas de moda no mundo com mais de mil colaboradores a ter essa certificação. Mais do que um selo, é um recado para o mercado — e para dentro de casa — de que crescimento e responsabilidade podem caminhar juntos quando viram rotina, não campanha.
E é justamente na rotina que a história ganha humanidade. A moda que chega pronta na loja começa como planejamento, vira tecido, vira peça e termina em alguém se vendo melhor no espelho — e isso só acontece porque existe uma cadeia inteira trabalhando em silêncio. A Lunelli também escolheu encarar de frente uma ferida histórica do setor: resíduos têxteis. Em relatos de entidades da indústria e publicações especializadas, o grupo aparece ampliando reciclagem e reaproveitamento de sobras, com a Vila Flor operando como uma saída concreta para excedentes de produção.
Linha do tempo — marcos essenciais
• 1981 — Fundação da empresa em SC; origem da Lunender, embrião do grupo.
• 2006 — Criação da marca Lez a Lez.
• 2011 — Formação do Grupo Lunelli; Lunender passa a ser marca feminina do portfólio.
• 2012 — Criação da Hangar 33.
• 2019 — Aquisição da marca Fico; portfólio ganha força no segmento surfwear.
• 2025 — Lunelli conquista a Certificação Sistema B (B Corp).
Mais do que uma cronologia de marcas e fábricas, a história da Lunelli Participações é um retrato do que Santa Catarina sabe fazer quando combina indústria, gestão e sensibilidade: transformar trabalho diário em legado. Fica aqui o reconhecimento — aos fundadores, às lideranças que deram sequência e, principalmente, às equipes que fazem a moda acontecer de verdade — por uma obra que cresceu sem perder o sentido do que veste: gente.
