Coreia do Norte amplia execuções para tentar conter avanço da cultura estrangeira
Relatório de grupo de direitos humanos aponta aumento das condenações à morte no regime de Kim Jong-un por acesso a conteúdos externos, religião e práticas consideradas ameaça ao controle estatal.

A Coreia do Norte voltou a expor ao mundo a face mais brutal de seu regime. Um relatório da organização Transitional Justice Working Group, com sede em Seul, aponta que ao menos 153 pessoas foram executadas ou condenadas à morte entre janeiro de 2020 e o fim de 2024 no país, um aumento expressivo em relação ao período anterior. Entre as acusações estão acesso e divulgação de cultura estrangeira, religião, práticas classificadas como “superstição” e outros atos vistos pelo regime como ameaça política.
O dado revela mais do que repressão. Mostra o medo de um governo que tenta controlar não apenas o comportamento da população, mas também o que as pessoas assistem, escutam, pensam e acreditam. A circulação de filmes, séries, músicas e conteúdos estrangeiros, especialmente da Coreia do Sul, passou a ser tratada como ameaça direta à lealdade ao regime de Kim Jong-un. Relatórios da ONU também apontam que a Coreia do Norte ampliou o uso da pena de morte contra pessoas acusadas de assistir ou compartilhar produções estrangeiras.
O motivo é evidente: cultura também é informação. Um videoclipe, uma novela, um filme ou um programa de televisão podem mostrar aos norte-coreanos que existe vida fora da propaganda oficial. Podem revelar que o mundo além das fronteiras não é o inferno descrito pelo regime — e que a Coreia do Norte não é o paraíso prometido pelo Estado.
Por isso, a repressão aumenta. Quando a doutrinação perde força, a violência se torna a ferramenta principal. Especialistas ouvidos em relatórios recentes afirmam que o regime parece cada vez mais disposto a usar força letal para conter sinais de descontentamento e impedir que conteúdos externos fragilizem o controle ideológico sobre a população.
Mesmo assim, a cultura estrangeira continua entrando no país por redes informais, mídias clandestinas e circulação interna. Isso mostra que, apesar do medo, há uma busca silenciosa por informação, liberdade e contato com o mundo real. Cada conteúdo proibido que circula representa uma pequena fissura no isolamento imposto pelo regime.
A Coreia do Norte teme filmes, músicas e programas de televisão porque sabe que ideias atravessam fronteiras. E regimes fechados, quando deixam de convencer, passam a depender cada vez mais da força. É o retrato de um sistema que não governa pela confiança, mas pelo medo.
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