Uma (dura) realidade

Muitas vezes a gente teima em dificultar e até esconder, um melhor entendimento sobre o futebol. Talvez pela velha insistência em negar a constatação da dura realidade de um clube, de um time ou até de um momento, acabamos por nos iludir com falsos lampejos e tornamos esta ilusão num conceito mentiroso.
Quem foi ao estádio Orlando Scarpelli ver o jogo Figueirense x Barra pela Série C do Brasileiro, ou ficou em casa acompanhando pelo rádio ou pela televisão, certamente viveu este drama. O Figueirense encontrou a trave e o excelente goleiro adversário como obstáculos no primeiro tempo, onde teve nove escanteios a seu favor, fez o goleiro Ewerton praticar duas grandes defesas e não conseguiu marcar um gol. Estava decretada a dura realidade de um clube que não consegue se levantar do nocaute técnico aplicado por suas últimas administrações. E levou o troco na segunda etapa, demorando um século tentando e não conseguindo entender as modificações táticas do adversário perdendo merecidamente de 3 a 0 para o Barra FC, atual campeão catarinense. Estava comprovada a dura realidade. De um lado um campeão estadual, do outro, um rebaixado de série na mesma competição.
Tudo mais que inspirou o torcedor – foram 4.171 pagantes e milhares deles fora do Orlando Scarpelli – foi a mais pura e real ilusão.
A diferença dos dois clubes fora de campo – o Barra FC jovem, organizado, dinâmico, futurista, respeitado por onde chega – foi sacramentada dentro de campo, com a justíssima vitória do time de Balneário Camboriú.
E nesta dura realidade, o Barra projeta o seu futuro e o Figueirense relembra o seu passado.
As razões do Mário
O excelente jornalista Mário Medaglia, que já desfilou sua competência por importantes veículos da comunicação esportiva do país, me ofereceu excelentes observações sobre a coluna que escrevi no último dia 29.
Sobre o “descontrole” de jogadores e treinadores em campo, diz o conceituado confrade: “O futebol brasileiro virou uma várzea, com perdão da várzea. Jogadores mal-educados desde a base, ensinados a simular, reclamar da arbitragem, praticar o antijogo. São profissionais despreparados para lidar com crianças e adolescentes que tomam conta da base. Nossa mídia esportiva não trata das causas, só das consequências. É a minha teoria, conclusão resultado de algumas décadas de vivência profissional. Não tenho expectativa de mudanças, tal o baixo nível hoje de boa parte da nossa mídia esportiva.”
Assino embaixo.
Os direitos de cada um
Expressivo número de eventos esportivos tem seus direitos de transmissão negociados com emissoras de televisão, detentoras pois, de algumas exclusividades. A de entrevistar os personagens do evento – jogadores e treinadores – é uma delas. Logo, não se justifica a reação das emissoras de rádios contra o que chamam de “privilégio” televisivo. Da mesma forma como não é correta a deselegância do uso dessas entrevistas, sem a citação de suas origens. A TV paga – e muito – o que o rádio usa por uma gratuita concessão.
