CPX Distribuidora — de Itajaí ao Brasil que precisa rodar

Uma reportagem da série “Gigantes de SC”

Em 2006, em Itajaí, uma cidade que respira porto e contêiner, um problema de operação virou oportunidade. Ao olhar a planilha de uma transportadora da família, Humberto Cantu encontrou um vilão recorrente: pneu. A partir dali, com cerca de R$ 300 mil e uma tese clara — importar melhor, distribuir com eficiência e reduzir o custo na ponta — começava um negócio que, anos depois, ganharia escala nacional.

A formalização desse crescimento aparece em 2008, quando nasce a CPX Distribuidora S.A., com sede em Itajaí (SC) e atividade principal ligada ao comércio atacadista de pneumáticos e câmaras-de-ar. É o tipo de empresa que o consumidor final quase nunca enxerga pelo nome — mas que está por trás de marcas e canais que mudaram a forma como o brasileiro compra pneus, como a PneuStore.

O começo foi de chão duro e aprendizado rápido. No relato institucional do grupo, a estratégia passa por testar importações, entender um mercado concentrado em poucos fornecedores e com demanda fragmentada, e ir construindo escala com disciplina. Em 2009, veio a entrada na importação para veículos leves e utilitários; em 2012, a criação da PneuStore como e-commerce para atender consumidores em todo o país — e, no ano seguinte, a expansão para marketplaces. Era o varejo digital nascendo com vocação logística.

O crescimento, então, deixou de ser apenas volume e virou arquitetura. Em 2016, a empresa incorporou negócios menores para acelerar presença online (como Pneusfácil e Itaro) e concentrou tráfego e vendas na PneuStore; também ampliou o portfólio para linhas OTR (fora de estrada) e agro, fortalecendo a cobertura de segmentos onde a urgência e a disponibilidade de produto valem tanto quanto preço.

Em paralelo, a governança e o financiamento acompanharam o tamanho. O grupo concluiu um processo de branding e reorganização que unificou canais e identidade, e, em março de 2022, obteve registro de emissora de valores mobiliários na categoria “A” junto à CVM — um marco de maturidade de quem passa a operar com outra régua de transparência e estrutura.

A escala que isso sustenta aparece nos números divulgados ao mercado. Em 2023, a empresa projetava faturamento acima de R$ 3 bilhões, apoiada em captações via debêntures e no aporte de R$ 600 milhões do fundo L Catterton. Com caixa e estratégia, foi às compras: adquiriu a Gripmaster (citada com faturamento de R$ 200 milhões) e internacionalizou a operação com a compra da DigiTire, nos Estados Unidos, além da abertura de um escritório em Luxemburgo para gerir a frente internacional.

Mas, como toda empresa de distribuição, o que sustenta promessa é entrega. O mesmo relato de 2023 descreve uma operação com mais de 50 armazéns em 22 estados e capacidade de entregar em 24 horas para uma parcela enorme do PIB brasileiro — um tipo de engenharia invisível que só aparece quando falta: quando o caminhão não roda, quando a frota para, quando o prazo estoura. Por isso, o mérito da CPX está tanto na decisão estratégica quanto na rotina: gente conferindo, separando, carregando, atendendo e resolvendo — todos os dias.

Linha do tempo — marcos essenciais
2006 — Início do negócio de importação de pneus em Itajaí (SC), a partir da leitura de custo e oportunidade logística.
2008 — Fundação/registro da CPX Distribuidora S.A. em Itajaí, com foco em atacado de pneumáticos; marca associada: PneuStore.com.br.
2009 — Importação de pneus para veículos leves e utilitários ganha corpo no grupo.
2012 — Criação da PneuStore (e-commerce); 2013: expansão para marketplaces.
2016 — Aquisições (Pneusfácil e Itaro) fortalecem o digital; expansão de portfólio para OTR e Agro.
2022 — Registro de emissora categoria “A” na CVM; avanço de estrutura e governança.
2023 — Aporte do L Catterton e ciclo de aquisições (Gripmaster e DigiTire); expansão internacional.

Mais do que uma cronologia de crescimento, a história da CPX Distribuidora é o retrato de uma competência catarinense rara: transformar logística em vantagem competitiva. O reconhecimento, aqui, é pelo que quase não aparece na vitrine — a operação que faz o Brasil rodar.

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