Desemprego cai, mas o problema permanece

Taxa média de 5,6% em 2025 é a menor da história, mas informalidade, baixa geração de empregos formais e dependência de programas sociais exigem uma leitura mais profunda dos dados.

Imagem gerada por IA

Os números divulgados pelo IBGE nesta semana chamam atenção e, à primeira vista, merecem comemoração. A taxa média de desemprego no Brasil em 2025 fechou em 5,6%, a menor desde o início da série histórica. É, sem dúvida, uma boa notícia e um indicador positivo dentro de um cenário econômico que, em vários outros aspectos, inspira cautela.

No entanto, números isolados não explicam a realidade por completo. Quando se amplia o olhar, surgem questões que precisam ser enfrentadas com seriedade por técnicos, formuladores de políticas públicas e pela classe política como um todo.

O próprio CAGED mostrou que 2025 teve a pior geração de empregos formais desde 2020, ano marcado pela pandemia. Ou seja, menos vagas com carteira assinada foram criadas, mesmo com a economia em funcionamento pleno. Isso indica uma mudança no comportamento do mercado de trabalho e também do trabalhador brasileiro.

Outro ponto central está no critério do desemprego: ele considera apenas quem procura ativamente por trabalho. Uma parcela relevante da população em idade produtiva simplesmente deixou de buscar emprego formal. Parte migrou para a informalidade, que cresceu de forma consistente nos últimos anos; outra parte optou por se manter dentro das regras que garantem acesso a programas sociais, já que, em muitos casos, o salário mínimo não é suficiente para cobrir despesas básicas e ainda competir com benefícios assistenciais.

Esse é o nó central da discussão. Programas sociais são essenciais, cumprem um papel humanitário e de proteção, mas não podem ser permanentes nem concorrentes do trabalho formal. Quando o sistema passa a desestimular a formalização, cria-se uma armadilha: menos arrecadação, menos produtividade e mais dependência do Estado.

Reduzir a informalidade e criar portas reais de saída dos programas sociais precisa ser prioridade. Isso passa por crescimento econômico sustentado, simplificação tributária, estímulo à contratação formal e, principalmente, por uma política de renda que torne o trabalho digno mais vantajoso do que a dependência assistencial.

O desemprego baixo é um dado relevante, mas não pode ser tratado como ponto final. Ele deve ser o início de uma discussão mais madura sobre qualidade do emprego, renda, produtividade e futuro do mercado de trabalho no Brasil. Comemorar é legítimo. Ignorar os sinais de alerta, não.

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