Dívida pública cresce 18% em 2025 e acende alerta sobre os rumos da economia
Relatório do Tesouro Nacional mostra avanço superior ao da pandemia; endividamento salta mais de R$ 1,3 trilhão em um ano e pressiona juros, fiscal e crescimento.

O relatório divulgado pelo Tesouro Nacional nesta semana traz um sinal claro de alerta para a economia brasileira. A dívida pública federal cresceu 18% ao longo de 2025, um ritmo que supera inclusive o registrado em 2020, ano marcado pelos gastos extraordinários da pandemia da Covid-19. Em números absolutos, o endividamento saiu de R$ 7,316 trilhões em dezembro de 2024 e avançou mais de R$ 1,3 trilhão em apenas doze meses, configurando um dos piores desempenhos da série histórica recente.
O resultado só não é mais grave do que o observado em 2015, quando a dívida cresceu 21,7%, período amplamente reconhecido como um dos mais turbulentos da história econômica recente do país. A comparação, por si só, é simbólica e preocupante: em 2025 não houve choque externo de magnitude semelhante à pandemia, o que reforça a leitura de que o aumento do endividamento está diretamente ligado a desequilíbrios fiscais estruturais e à dificuldade do governo em conter despesas e estabilizar suas contas.
Esse avanço da dívida tem efeitos diretos sobre toda a economia. Quanto maior o endividamento, maior é a percepção de risco por parte dos investidores, o que se traduz em juros elevados por mais tempo. O Brasil já convive com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, cenário que encarece o crédito, desestimula investimentos produtivos e limita o crescimento econômico. Além disso, a expansão da dívida reduz o espaço fiscal para políticas públicas futuras, comprometendo investimentos em áreas essenciais como infraestrutura, saúde e educação.
Outro ponto de atenção é a dinâmica de financiamento dessa dívida. Com déficits recorrentes e necessidade constante de rolagem, o Tesouro fica cada vez mais dependente do mercado para captar recursos, muitas vezes a custos elevados. Isso cria um ciclo vicioso: juros altos aumentam o custo da dívida, o custo da dívida pressiona o orçamento e o orçamento fragilizado retroalimenta a desconfiança do mercado.
O dado divulgado não é apenas um número técnico. Ele representa um alerta concreto sobre a sustentabilidade das contas públicas e sobre a urgência de medidas que devolvam previsibilidade à política fiscal. Sem uma trajetória clara de controle do endividamento, o país segue refém de juros elevados, crescimento baixo e maior vulnerabilidade a choques externos. A mensagem do Tesouro é direta: o tempo para ajustes está ficando cada vez mais curto.
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