Em Santa Catarina, partidos avaliam se vale a pena insistir no confronto
Com Jorginho Mello liderando pesquisas e buscando a reeleição, MDB, PP e PSD discutem caminhos em um cenário que mistura projetos individuais, força das bases e cálculo nacional.

Há um ditado popular que diz que “não se deve dar soco em ponta de faca”. Na política, a frase também serve como alerta. Em Santa Catarina, a disputa pelo governo em 2026 começa a se desenhar em torno de uma pergunta central: faz sentido para partidos de direita e centro-direita enfrentarem o governador Jorginho Mello ou seria mais estratégico buscar algum tipo de convergência?
O governador, filiado ao PL, aparece em posição confortável nos levantamentos divulgados até agora. Pesquisas recentes apontam Jorginho na liderança da corrida estadual, com vantagem sobre possíveis adversários como João Rodrigues, do PSD. Um levantamento do Instituto Mapa, por exemplo, mostrou o governador com 56,2% das intenções de voto, contra 15,5% do prefeito de Chapecó. Outros institutos também têm registrado vantagem do atual chefe do Executivo catarinense.
Esse quadro pressiona MDB, PP e PSD a avaliarem não apenas seus projetos próprios, mas também o comportamento de suas bases. Em Santa Catarina, prefeitos, vereadores, deputados e lideranças regionais têm peso decisivo. Muitas vezes, a decisão formal da cúpula partidária não acompanha integralmente o movimento dos filiados nos municípios, especialmente quando há uma candidatura governista bem avaliada e com estrutura estadual.
Ao mesmo tempo, o cenário não é de caminho único. MDB, Progressistas e União Brasil sinalizaram apoio à pré-candidatura de João Rodrigues ao governo de Santa Catarina, em uma composição que prevê espaço para o MDB na vice e indicação do senador Esperidião Amin ao Senado. O movimento mostra que há uma tentativa concreta de organizar uma alternativa ao projeto de reeleição de Jorginho Mello.
A questão é saber se essa alternativa conseguirá se consolidar até a eleição. João Rodrigues tem base política, experiência administrativa e forte presença no Oeste. Esperidião Amin possui história, currículo e densidade eleitoral. Ambos têm legitimidade para construir seus caminhos. Mas a política também exige leitura de ambiente, e o ambiente atual indica vantagem para o governador.
Nesse contexto, a discussão deixa de ser apenas individual e passa a ser coletiva. Uma eventual união de direita e centro-direita poderia fortalecer um projeto estadual e também ter reflexos nacionais, especialmente em uma eleição presidencial que tende a ser competitiva. Por outro lado, a manutenção de candidaturas distintas pode expressar a autonomia dos partidos e a tentativa de ampliar espaços em uma disputa ainda em construção.
Santa Catarina sempre teve uma política marcada por composições, pragmatismo e força municipalista. Por isso, mais do que discursos de enfrentamento, os próximos meses devem revelar quem conseguirá transformar pesquisas, alianças e capilaridade em projeto viável. O desafio dos partidos será decidir se insistem na disputa frontal ou se buscam uma acomodação maior em nome de um campo político comum.
A decisão caberá às lideranças e aos eleitores. Mas o recado das pesquisas é claro: em um cenário onde o governador aparece com ampla vantagem, qualquer movimento contrário ao fluxo majoritário precisa ter estratégia, consistência e capacidade real de chegar ao cidadão. Caso contrário, o velho ditado pode voltar a fazer sentido.
Hashtags:
#SantaCatarina #PolíticaSC #JorginhoMello #MDB #PP #PSD #PL #JoãoRodrigues #EsperidiãoAmin #Eleições2026 #CentroDireita #Direita #Governador #Política catarinense
