Entre a promessa da picanha e a realidade do aperto, Lula chega a 2026 sob cobrança maior

A promessa feita em 2022 virou símbolo de melhora concreta na vida do brasileiro. Quase quatro anos depois, os indicadores mostram um país com emprego em nível historicamente melhor, mas ainda pressionado por inflação, juros altos, déficit fiscal, endividamento e forte dependência de programas sociais.

Em agosto de 2022, ainda candidato, Lula disse no Jornal Nacional que o brasileiro voltaria a “comer um churrasquinho, uma picanha e tomar uma cervejinha”. A frase virou um resumo popular de uma promessa maior: devolver poder de compra, tranquilidade e perspectiva de melhora à população. A pouco mais de oito meses do fim do terceiro mandato, essa imagem continua forte no imaginário político, mas encontra um país bem mais apertado do que a simbologia da campanha sugeria.

Os números da economia ajudam a explicar essa distância entre símbolo e realidade. O Banco Central informou que o setor público consolidado acumulava em fevereiro de 2026 um déficit primário de R$ 52,8 bilhões em 12 meses, equivalente a 0,41% do PIB. Ao mesmo tempo, o próprio governo projeta déficits das estatais federais também nos anos seguintes: R$ 7,5 bilhões em 2027, R$ 6,1 bilhões em 2028, R$ 5 bilhões em 2029 e R$ 5,7 bilhões em 2030. Não é um retrato de estabilidade confortável.

No bolso do consumidor, o ambiente também continua duro. O Boletim Focus desta semana elevou a projeção do mercado para a inflação de 2026 a 4,8%, acima do teto da meta, enquanto a estimativa para a Selic no fim de 2026 subiu para 13%. Hoje, a taxa básica está em 14,75% ao ano, segundo o Banco Central. Isso significa crédito caro por mais tempo, custo financeiro elevado para famílias e empresas e menos folga para o consumo.

Na área social, o quadro segue revelador. Em abril de 2026, o Bolsa Família atendia 18,9 milhões de famílias, alcançando 49,2 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a CNC registrou 80,2% das famílias endividadas em fevereiro, recorde da série. Isso mostra um país em que proteção social continua sendo necessária em larga escala, mas também em que milhões de lares seguem pressionados por dívidas e renda insuficiente.

É verdade que há um dado positivo importante: o mercado de trabalho melhorou. A taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, igualando o menor nível da série histórica comparável. Mas esse retrato não elimina fragilidades relevantes, porque a própria PNAD mostra 38,5 milhões de trabalhadores informais, mesmo com a taxa de informalidade em queda. Em outras palavras, o emprego melhorou, mas a qualidade e a segurança da renda ainda não resolveram o aperto de grande parte da população.

Politicamente, esse descompasso ajuda a entender o desgaste do governo. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de abril mostrou 52% de desaprovação à gestão Lula, contra 43% de aprovação. Para este portal, o ponto central é simples: promessa simbólica funciona na campanha, mas o eleitor tende a julgar no fim pela vida real. E a vida real, hoje, continua marcada por endividamento elevado, juros altos, déficit fiscal e dependência social em larga escala. Se a picanha foi o emblema da esperança em 2022, a cobrança em 2026 parece ser outra: menos símbolo e mais resultado.

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