Acordo UE–Mercosul enfrenta resistência: França, Irlanda, Hungria e Polônia votam contra e travam avanço
A pressão de agricultores europeus, o temor de concorrência “desleal” e o peso político interno voltam a colocar o tratado no centro de uma batalha que pode redefinir o comércio entre Europa e América do Sul.

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que promete abrir mercados e movimentar bilhões em exportações, voltou a enfrentar forte resistência dentro da Europa. França, Irlanda, Hungria e Polônia se posicionaram contra o avanço do tratado, num movimento que evidencia que o pacto está longe de ser consenso — mesmo após anos de negociações.
O gesto mais simbólico veio da França: deputados aprovaram uma resolução pedindo ao governo francês que se oponha ao acordo, reforçando uma postura já conhecida do presidente Emmanuel Macron, que considera “inaceitável” o texto nas condições atuais. A principal alegação é clara: produtores europeus afirmam que o Mercosul não teria as mesmas exigências ambientais e sanitárias, o que criaria uma competição desigual e derrubaria preços agrícolas dentro da UE.
Irlanda e Polônia seguem na mesma linha — ambas com forte influência do setor agropecuário e uma base rural que reage com força a qualquer sinal de abertura para carne bovina sul-americana. Já a Hungria, com um perfil mais político e conservador nas votações europeias, também se une ao bloco de resistência, ampliando o risco de travas institucionais e adiamentos que podem se prolongar por anos.
O acordo, negociado entre UE e Mercosul, prevê redução de tarifas em grande parte do comércio, com impacto direto em exportações agrícolas (como carnes, café e frutas) e também em produtos industriais europeus, como veículos e máquinas, que teriam acesso ampliado ao mercado sul-americano. Em tese, seria um dos maiores pactos comerciais do planeta, unindo dois blocos estratégicos.
Na prática, porém, a disputa se tornou política: de um lado, setores empresariais europeus defendem a abertura para reduzir custos, ampliar competitividade e diversificar fornecedores; do outro, agricultores e líderes populistas pressionam governos e parlamentos, alegando risco de destruição de empregos e falência no campo. O tema virou munição eleitoral, especialmente em países onde o agronegócio tem peso decisivo.
Para o Brasil e os demais países do Mercosul, o impasse é duplo: o acordo poderia ser uma janela gigante para exportações, mas também impõe exigências ambientais e padrões regulatórios mais rígidos. E, mesmo com concessões, o tratado segue refém de disputas internas da política europeia — onde cada país joga conforme seus interesses e pressões internas.
O recado é direto: enquanto alguns enxergam oportunidade, outros enxergam ameaça. E, por isso, o acordo UE–Mercosul continua sendo menos um tratado econômico e mais um tabuleiro geopolítico — onde o voto de poucos pode travar o destino de milhões.
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