Por que os jovens estão desistindo do trabalho formal no Brasil?

CLT, impostos altos, salários achatados e poucas perspectivas ajudam a explicar por que cada vez mais jovens fogem do emprego tradicional.

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O fenômeno é visível nas ruas, nos números e nas redes sociais: uma parcela crescente dos jovens brasileiros simplesmente não quer mais saber do emprego formal. Carteira assinada, que por décadas foi sinônimo de segurança e estabilidade, hoje perdeu o encanto para quem tem menos de 40 anos.

Os motivos são práticos e fáceis de entender. O salário líquido, depois de descontos, mal cobre o custo de vida. Impostos elevados, transporte caro, alimentação inflacionada e aluguel em níveis proibitivos fazem com que o esforço mensal não se converta em qualidade de vida. Trabalha-se muito, ganha-se pouco e sobra quase nada.

A CLT, vendida como proteção, passou a ser vista como engessamento. Para o empregador, contratar é caro e arriscado. Para o empregado, a sensação é de troca desigual: entrega tempo, energia e saúde em troca de um rendimento que não acompanha a realidade. O resultado é previsível: menos vagas formais e menos interesse em ocupá-las.

Diante disso, os jovens buscam alternativas. Aplicativos, trabalhos por demanda, MEI, freelancing e empreendedorismo informal passaram a representar autonomia, flexibilidade e, muitas vezes, renda maior. Mesmo sem benefícios clássicos, há algo que pesa mais: controle sobre o próprio tempo.

Outro fator decisivo é a falta de perspectiva. Muitos jovens não enxergam futuro no sistema atual. Contribuir por décadas para uma previdência que pode não existir, depender de um Estado inchado e conviver com sucessivas crises econômicas mina qualquer entusiasmo pelo caminho tradicional.

O problema é estrutural. O Brasil ainda opera com um modelo de trabalho do século passado para uma geração que vive no presente e pensa no futuro. Enquanto isso não mudar, a evasão do mercado formal continuará crescendo — não por preguiça, mas por lógica.

Se trabalhar formalmente não garante dignidade, o jovem escolhe outro caminho. E o país precisa decidir se vai continuar perdendo essa geração ou se terá coragem de reformar um sistema que já não funciona para quem está começando a vida.


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