PL pode repetir no Sul domínio regional que o PMDB teve nos anos 80

Pesquisas indicam vantagem de nomes do Partido Liberal em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, mas cenário ainda é preliminar e depende da consolidação das candidaturas até 2026.

As pesquisas divulgadas até agora apontam um movimento político relevante no Sul do Brasil: a possibilidade de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul serem governados, ao mesmo tempo, por nomes do Partido Liberal. O cenário ainda é pré-eleitoral, sujeito a mudanças, alianças e ao início oficial da campanha, mas os levantamentos mostram que o PL chega competitivo nos três estados e pode transformar a região em sua principal vitrine administrativa a partir de 2027.

A situação mais concreta está em Santa Catarina. O governador Jorginho Mello, do PL, deve disputar a reeleição com a vantagem natural de estar no cargo e com índices favoráveis de avaliação. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 2025 apontou Jorginho na liderança da corrida estadual e com aprovação elevada entre os catarinenses. Levantamento da AtlasIntel divulgado em abril de 2026 também mostrou o governador à frente nos cenários estimulados.

No Paraná, o quadro também favorece um nome do PL neste momento. Com Ratinho Junior em segundo mandato e impedido de disputar nova reeleição, o senador Sergio Moro aparece na liderança das pesquisas para o governo estadual. Levantamento da Paraná Pesquisas divulgado em 13 de abril de 2026 mostrou Moro com ampla vantagem nos cenários testados, variando de 46% a 52,5% das intenções de voto, o que indicaria, na fotografia atual, possibilidade de vitória ainda no primeiro turno.

No Rio Grande do Sul, a disputa tende a ser mais aberta, mas o PL também aparece bem posicionado. Pesquisa Brasmarket divulgada em 22 de abril de 2026 colocou o deputado federal Luciano Zucco na liderança para o governo gaúcho, com 35,5% no cenário estimulado de primeiro turno, contra 20,6% de Juliana Brizola. O mesmo levantamento apontou Zucco vencendo cenários de segundo turno.

Se esse desenho se confirmar nas urnas, o Sul poderá viver uma repetição histórica de domínio partidário regional. No fim da década de 1980, os três estados foram governados por lideranças do então PMDB, atual MDB: Pedro Simon no Rio Grande do Sul, Álvaro Dias no Paraná e Pedro Ivo Campos em Santa Catarina.

A diferença é que, naquele período, o PMDB representava a grande força da redemocratização e ocupava espaço amplo no espectro político nacional. Hoje, o possível avanço do PL no Sul ocorre em outro contexto: polarização consolidada, força do bolsonarismo na região e governos estaduais sendo tratados como plataformas estratégicas para a disputa nacional. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul já deram votações expressivas à direita nos últimos ciclos eleitorais, e as pesquisas estaduais indicam que esse comportamento pode se refletir também nas disputas para os Executivos locais.

Para o PL, governar os três estados do Sul significaria muito mais do que uma vitória regional. Seria a formação de um corredor político e administrativo com peso econômico, simbólico e eleitoral. Para os adversários, especialmente partidos de centro, esquerda e centro-direita não alinhados ao PL, o desafio será impedir que a eleição estadual vire apenas uma confirmação da tendência nacionalizada que aparece hoje nos levantamentos.

Ainda é cedo para tratar o cenário como definido. Pesquisas mostram o momento, não o resultado final. Candidaturas podem mudar, alianças podem redesenhar palanques e campanhas têm capacidade de alterar percepções. Mas, pela fotografia atual, o Sul caminha para uma eleição em que o PL pode sair de partido forte na região para força hegemônica nos governos estaduais. Caso isso aconteça, a comparação com o ciclo do PMDB nos anos 80 será inevitável.

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