PSD de SC foge ao próprio roteiro e expõe desacertos internos em plena largada de 2026

Partido que sempre cultivou imagem de construção interna coesa entrou na semana produzindo sinais cruzados: Paulo Bornhausen reforçou apoio a Jorginho e se afastou da vida partidária, Topázio manteve sua defesa pública de aliança com o governador, João Rodrigues reafirmou a pré-candidatura ao governo, e o caso expôs um PSD catarinense menos disciplinado do que costumava.

Imagem gerada por IA

O PSD de Santa Catarina sempre teve uma característica política reconhecida até por adversários: discutir muito por dentro e falar pouco para fora até que a decisão estivesse madura. Era um partido que gostava de entregar posição pública com aparência de unidade, mesmo quando a costura interna era complexa. Nesta semana, porém, esse método pareceu falhar — e falhou de forma visível.

No caso de Paulo Bornhausen, o movimento foi politicamente inteligente. Ao reafirmar lealdade à reeleição de Jorginho Mello e, ao mesmo tempo, se afastar da atividade partidária, ele protegeu a própria posição no governo e reduziu o dano institucional ao PSD. Foi uma forma de dizer com clareza onde está, sem obrigar o partido a carregar integralmente sua escolha.

Já em relação a Topázio Neto, não há propriamente surpresa. O prefeito de Florianópolis vem dizendo há bastante tempo que defende aproximação entre PSD e PL e que vê em Jorginho o caminho natural para 2026. Em junho de 2025, ele já afirmava publicamente que o PSD estava “isolado no jogo” e elogiava o governador. Mais tarde, voltou a defender que PSD e PL estivessem juntos. Portanto, sua posição não nasceu agora; ela apenas deixou de ser tolerada silenciosamente.

O estranhamento maior veio do choque entre sinais públicos de lideranças históricas e a resposta imediata de quem está no centro da disputa. Jorge Bornhausen foi, ao longo de 2025, uma voz clara de apoio a João Rodrigues, chegando a afirmar em vídeo que o PSD teria candidato ao governo e que esse candidato seria João. Ontem, em entrevista, passou a sugerir cenário diferente, enquanto João voltou a público para reafirmar que segue no jogo. Em entrevista coletiva hoje, manteve tom de pré-candidato e tratou Jorginho como provável adversário.

Esse desencontro é justamente o que foge da característica histórica do PSD catarinense. Se Topázio já era conhecido por defender Jorginho, e se João já estava posto como nome do partido ao governo, por que o ajuste de contas não ocorreu antes? Por que o partido deixou duas posições tão incompatíveis amadurecerem publicamente até o ponto de virarem crise? A notícia de que Topázio conversa para deixar o PSD e migrar para o Podemos mostra que o conflito deixou de ser apenas ruído e passou a produzir consequência concreta.

Também pesa o simbolismo institucional. Quando uma informação associada a Jorge Bornhausen é rapidamente contrariada pela posição de João Rodrigues, o partido transmite ao eleitor a sensação de que nem suas referências mais experientes conseguem mais traduzir, com precisão, o rumo interno da sigla. Para um PSD acostumado a vender método, previsibilidade e disciplina, isso é ruído demais.

No fim, o PSD não perdeu apenas alguns dias de controle narrativo. Perdeu, ao menos momentaneamente, aquilo que sempre foi uma de suas forças em Santa Catarina: a imagem de partido que resolve divergência dentro de casa antes que ela vire manchete. Desta vez, a manchete veio primeiro — e a solução ainda não apareceu.

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