Santa Catarina: um estado construído por imigrantes, trabalho e resultados
OPINIÃO: Derly Massaud de Anunciação, Editor do Portal.

Com forte tradição acolhedora e indicadores acima da média nacional, SC virou referência em qualidade de vida — mas ainda sofre ataques e generalizações injustas.
Santa Catarina é, historicamente, um dos maiores exemplos de formação plural do Brasil. Um estado moldado pela imigração, pelo esforço coletivo e por uma cultura profundamente ligada ao trabalho, à organização e ao desejo permanente de construir uma vida melhor. Não por acaso, SC é reconhecido como um dos estados com melhor qualidade de vida do país, e em muitos indicadores, simplesmente lidera o ranking nacional.
A formação catarinense é marcada por ondas migratórias que ajudaram a construir sua identidade cultural e econômica. Italianos, alemães, portugueses/açorianos, poloneses, austríacos e japoneses tiveram papel relevante na estruturação de municípios inteiros, na agricultura, na indústria e na cultura local. Não foi apenas uma imigração simbólica: foi uma imigração que criou raízes, construiu cidades e deixou herança concreta.
Mais recentemente, Santa Catarina passou a receber também um novo fluxo migratório, agora de caráter humanitário e econômico. Os venezuelanos lideram com folga esse movimento. São quase 80 mil pessoas oriundas da Venezuela vivendo em território catarinense, fazendo de SC o maior receptor de venezuelanos do Brasil. Na sequência aparecem haitianos, argentinos e paraguaios, reforçando o caráter internacional e acolhedor do estado.
E não é só imigração externa. Santa Catarina também recebe, todos os anos, milhares de brasileiros vindos principalmente do Norte e do Nordeste, especialmente em períodos de alta temporada. Muitos chegam em busca de oportunidades temporárias, mas acabam fixando residência definitiva. É um movimento natural em um país desigual: pessoas migram para onde existe trabalho, segurança e perspectiva de crescimento.
Outro fenômeno que se tornou cada vez mais comum é o de executivos e empresários que escolhem viver em Santa Catarina com suas famílias, motivados pela qualidade de vida, estrutura urbana e sensação de segurança. Muitos mantêm seus negócios fora do estado e fazem um “bate e volta” semanal para cumprir compromissos profissionais, mas optam por criar seus filhos e organizar suas vidas em solo catarinense.
Santa Catarina, portanto, não é apenas um destino turístico. É um estado que se transformou em referência nacional de estabilidade, acolhimento e prosperidade.
Os números ajudam a explicar por quê.
Em diversos indicadores sociais e econômicos, Santa Catarina aparece como destaque absoluto: alto nível de alfabetização, renda per capita elevada, bons índices de segurança pública, maior expectativa de vida, menor taxa média de desemprego e menor dependência proporcional de programas como o Bolsa Família. Na prática, isso significa uma população que, apesar dos desafios naturais de qualquer sociedade, vive em um ambiente mais estruturado, com maior capacidade de geração de oportunidades.
Na economia real, SC também é potência. O estado lidera ou ocupa posições de destaque na produção nacional: maior produtor de suínos, segundo maior produtor de frangos, maior produtor de cebola, maior produtor de ostras e mexilhões, além de forte presença em setores como metalmecânico, têxtil, cerâmica, tecnologia, logística e exportação.
No ambiente de inovação, Santa Catarina também virou referência. O estado se consolidou como um dos maiores polos de startups do Brasil, com cidades como Florianópolis, Joinville, Blumenau e Criciúma se destacando como centros de tecnologia e empreendedorismo.
E tudo isso ganha ainda mais relevância quando se coloca em perspectiva o tamanho catarinense: um estado que ocupa apenas 1,3% do território nacional, com cerca de 8,2 milhões de habitantes, mas entrega resultados que superam estados muito maiores e com orçamentos infinitamente mais robustos.
Esse desempenho deveria ser motivo de orgulho nacional.
Mas existe um problema recorrente, que se repete com frequência e se intensifica sempre que algum episódio isolado ganha repercussão. Parte da mídia tradicional concentrada no eixo central do país, somada a influenciadores e comentaristas de militância ideológica, insiste em generalizar toda uma população como se Santa Catarina fosse um território homogêneo de preconceito e intolerância.
É injusto.
Generalizar milhões de catarinenses como racistas, fascistas ou qualquer outro rótulo coletivo é um erro intelectual e moral. Não apenas por ser desonesto, mas porque ignora deliberadamente o fato mais básico: Santa Catarina é um estado formado por imigrantes, por brasileiros de todas as regiões e por milhares de famílias que vieram justamente em busca de liberdade, dignidade e oportunidades.
É evidente que existem problemas sociais em qualquer lugar do mundo. Nenhuma sociedade é perfeita. Mas transformar exceções em regra, e usar episódios isolados como arma política para atacar uma população inteira, revela muito mais sobre quem acusa do que sobre quem é acusado.
Santa Catarina não precisa provar nada para ninguém. Seus resultados falam por si.
Mas o Brasil precisa aprender com aquilo que funciona. O país precisa observar, sem preconceito e sem narrativas ideológicas, por que um estado pequeno consegue entregar mais segurança, mais emprego, mais produtividade e mais crescimento do que muitos gigantes nacionais.
Santa Catarina é exemplo. E exemplos não devem ser atacados: devem ser compreendidos, respeitados e, sempre que possível, copiados.
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