Educação no Brasil: muito dinheiro, pouco resultado e uma conta que o país precisa enfrentar
A Constituição obriga a União a aplicar no mínimo 18% da receita de impostos em educação e estados e municípios, 25%. O país investe algo entre 5% e 6% do PIB no setor, mas segue mal posicionado nas avaliações internacionais. O problema já não parece ser apenas acesso — é eficiência, qualidade e execução.

A educação brasileira já não pode mais ser tratada apenas como promessa de campanha. A Constituição é clara: a União deve aplicar no mínimo 18% da receita de impostos em manutenção e desenvolvimento do ensino, enquanto estados, municípios e o Distrito Federal devem investir ao menos 25%.
Do ponto de vista macro, o Brasil também não investe pouco quando comparado ao próprio PIB. Dados do Banco Mundial e da OCDE colocam o gasto público em educação do país em uma faixa próxima de 5% a 6% do PIB, dependendo da metodologia e do ano analisado.
Mas aí entra a contradição que incomoda.
Mesmo com esse esforço financeiro, o desempenho segue fraco. No Pisa 2022, o Brasil ficou na parte de baixo da tabela. Em matemática, o país teve desempenho inferior à média da OCDE e apenas 27% dos estudantes brasileiros alcançaram ao menos o nível básico de proficiência, contra 69% na média da OCDE. O próprio relatório brasileiro do Pisa destaca que o país ficou entre os 81 participantes e longe dos sistemas líderes, como Singapura, Japão e outras economias asiáticas.
A leitura, portanto, é inevitável: houve avanço importante na universalização do acesso, mas a qualidade da aprendizagem e a eficiência do investimento continuam sendo os maiores problemas.
E, quando se olha o gasto por aluno, a própria apresentação brasileira do Education at a Glance 2024 destaca que o gasto público por aluno na educação primária no Brasil é cerca de um terço da média da OCDE.
Ou seja: o problema é duplo. O país mobiliza muito recurso no agregado, mas ainda investe pouco por estudante em comparação com os países mais desenvolvidos — e, além disso, transforma mal o dinheiro que tem em aprendizagem real.
É por isso que o discurso eleitoral sobre educação soa cada vez mais vazio. Todo candidato promete prioridade. Todo palanque fala em futuro, oportunidade e transformação. Mas, ano após ano, o resultado mostra que a prioridade continua mais forte no discurso do que na execução.
Se o Brasil quiser realmente mudar de patamar, a educação precisa deixar de ser slogan e virar gestão séria: formação de professores, alfabetização na idade certa, metas de aprendizagem, avaliação permanente, foco em matemática e leitura, infraestrutura e cobrança de resultado. Sem isso, continuaremos investindo muito, falando muito e entregando pouco.
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