Outro dia liguei para um amigo fazendeiro no Rio Grande do Sul e perguntei a ele: “Como estão às coisas por aí…? A resposta veio rápida: – Por aqui está ruim, mas é bom!

Fiquei sem saber o que era ruim que poderia ser tão bom e ele logo me explicou: “O que está ruim é que chove muito, o que é bom para a lavoura e para o gado! Perfeito.

Assim foram os últimos dias do trágico momento pelo qual passa o Figueirense. Perder para o CRB e deixar de arrecadar cerca de dois milhões de reais na Copa do Brasil, pode ter sido o ruim, que ficou bom. Afinal, muito mais do que do passageiro bônus financeiro, o centenário clube de Florianópolis está precisando arrumar suas pernas, aprumar sua cabeça, recuperar o tempo perdido e reconquistar a confiança do seu torcedor. Mas tudo isso só será possível se drásticas mudanças comportamentais forem aplicadas na atual e frágil administração do clube. O Figueirense (associação) precisa de um presidente que não seja uma marionete a ser manipulada por um titereiro, como está ocorrendo.

E para isso, não importa quem venha comandar a SAF, que não deve ser responsável por crises que não são do sistema administrativo, mas da gestão dele. O problema não é de modelo jurídico, mas de uma cultura ultrapassada, pouco ou nada transparente e irresponsável, na condução do clube, como está ocorrendo.

Apenas mudar o comando da SAF é muito pouco para a atual necessidade do Figueirense.

Dívidas, dúvidas e incertezas

Pela segunda vez, o gestor Paulo Sérgio Gallotti Prisco Paraiso, renuncia ao comando do Figueirense. É impossível esquecer que ele foi o responsável pela solidificação do Figueirense em nível nacional na década dos anos 2000. Foram sete anos seguidos na elite do futebol brasileiro e uma administração considerada modelo nacional.

Mas também é impossível não lamentar que a atual passagem de PPP, foi recheada de erros e repleta de equívocos administrativos que consolidaram o pior momento vivido pelo Figueirense na sua centenária e gloriosa história.

Talvez o sucesso do passado – registrado com o apoio de nomes de alta relevância administrativa – tenha sido a grande sombra para o fracasso do presente.

Escorado na sua história e na sua grandeza, o Figueirense do momento está repleto de dúvidas, dívidas e incertezas.

Apenas dois

Começamos com seis e chegamos à quinta fase da Copa do Brasil com apenas dois clubes catarinenses: Chapecoense e Barra FC. Ficaram pelo caminho Avaí, Santa Catarina, Joinville e Figueirense. A Chape estreia contra o Botafogo e o Barra, depois de eliminar América (MG) e Volta Redonda (RJ) enfrenta o Corinthians, num momento histórico para o jovem e vitorioso clube de Balneário Camboriú.

Serão jogos de ida e volta, com a Chapecoense começando no Rio de Janeiro e o Barra, no seu mando de campo, que ainda não se sabe onde será. Com a exigência da capacidade mínima de 10.000 lugares, o Barra não poderá jogar em sua moderna arena com capacidade para apenas 5 mil.

Ressacada ou Scarpelli (Florianópolis), Arena Joinville ou no Couto Pereira (Curitiba) podem receber a nova sensação do futebol catarinense. Jogar em Curitiba seria um desprestígio ao futebol catarinense que tem palcos para abrigar o grande jogo.

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