UMA VANTAGEM PARA SANTA CATARINA
Ernesto São Thiago, advogado

A eleição presidencial de 2018 representou uma ruptura profunda na forma de fazer política no Brasil. Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato chegou ao Palácio do Planalto sem depender da estrutura tradicional de televisão, das grandes máquinas partidárias e do marketing político clássico. Aquela vitória foi construída em outro terreno: o ambiente digital.
Nesse novo campo de disputa política, uma figura exerceu papel decisivo na arquitetura da estratégia que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República: Carlos Bolsonaro. Vereador no Rio de Janeiro desde muito jovem, ele assumiu nos bastidores a tarefa de organizar a presença digital da campanha e compreender como funcionava o novo ecossistema de formação de opinião pública nas redes sociais.
Enquanto grande parte do sistema político ainda operava segundo a lógica das campanhas televisivas, Carlos Bolsonaro percebeu que a arena política havia migrado para as plataformas digitais. A partir dessa leitura, estruturou uma comunicação direta com o eleitorado, baseada em linguagem simples, interação constante e capacidade de mobilização orgânica dos apoiadores.
Não se tratou de improviso. Houve estudo, acompanhamento permanente do comportamento das redes e sensibilidade política para ajustar rapidamente a comunicação ao clima da opinião pública. O resultado foi a construção de uma rede de apoio altamente engajada e capaz de amplificar mensagens em escala nacional, muitas vezes contornando os filtros tradicionais da mídia.
Por isso, quando setores minoritários reagem à possibilidade de Carlos Bolsonaro disputar o Senado por Santa Catarina, ignoram um fato político elementar. Ele foi um dos principais arquitetos da estratégia que viabilizou a vitória presidencial de 2018.
Há ainda um segundo aspecto que praticamente não aparece nas análises. As pesquisas eleitorais recentes indicam uma perspectiva crível de que Flávio Bolsonaro possa chegar à Presidência da República. Mesmo sem campanha nas ruas, seu nome já aparece liderando levantamentos em cenários estimulados.
Imagine-se Santa Catarina tendo como senador um querido irmão do presidente da República. Trata-se de uma possibilidade altamente favorável ao estado e que deveria ser considerada com pragmatismo político.
Por essa razão, o apoio à pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado não deveria restringir-se apenas ao eleitorado bolsonarista ou aos setores da direita. A lógica institucional recomenda que até mesmo quadros de centro e de esquerda avaliem essa hipótese com racionalidade.
Na política, oportunidades estratégicas raramente aparecem duas vezes. Santa Catarina faria bem em não ignorar esta.
