Guararapes — do barracão de Quilombo à maior planta de MDF das Américas

Uma reportagem da série “Gigantes de SC”

Em 1984, em Quilombo (SC), dois amigos juntaram ofício e teimosia para abrir uma madeireira familiar. O começo era modesto — quinze funcionários, produção de 150 m³ por mês —, mas a ambição era grande: aprender processo, ganhar escala e disputar mercados que pareciam distantes. Dois anos depois, a sede iria para Palmas (PR), com foco em compensados de exportação; Santa Catarina, porém, seguiria como casa industrial da marca, com plantas que desenhariam o futuro do negócio.

A virada catarinense começou com Santa Cecília (2002), nova fábrica de compensados para abastecer Brasil e exterior, e ganhou tração em 2009, quando a unidade de MDF em Caçador entrou em operação. A partir dali, a Guararapes deixou de ser apenas fornecedora de placas: virou referência de portfólio e padrão — MDF cru e decorativo, linhas técnicas como o Áris (multirresistente a marcas de dedos, calor, UV e microrriscos) e compensados estruturais e não estruturais. O resultado? Produto que “sai igual todo dia” e conversa com marcenarias, indústria moveleira e arquitetura.

O passo seguinte foi dobrar a aposta na eficiência. Em maio de 2023, entrou em operação, em Caçador (SC), a Linha MDF 3 — investimento próximo de R$ 1 bilhão que transformou o complexo na maior planta de MDF das Américas, com 1,14 milhão de m³/ano de capacidade nominal. Para Santa Catarina, é peso industrial; para o cliente, é previsibilidade de entrega e acabamento. Para a empresa, é competitividade para crescer dentro e fora do país.

Porta afora, a marca se provou. Hoje, exporta para mais de 50 países e mantém certificações que habilitam seus painéis a obras na Europa, Reino Unido e América do Norte (além da cadeia FSC® na madeira), um cartão de visitas que vale tanto quanto preço em mercados exigentes. É um tipo de reconhecimento silencioso: o de quem mede VOC, controla formaldeído, rastreia origem e cumpre norma — e, por isso, entra em projetos onde a régua é alta.

Se números ajudam a contar, são as pessoas que explicam. Em Santa Cecília e Caçador, há quem desdobre tora, ajuste desfibrador, calibre prensagem, confira textura e brilho; nos CDs e no porto, gente que faz a logística funcionar; no desenvolvimento, equipes que transformam tendência em lâmina e desenho. Reconhecer essa trajetória é reconhecer décadas de trabalho coletivo que fizeram da Guararapes um dos nomes que elevam a indústria catarinense — com método, constância e cuidado.

Linha do tempo — marcos essenciais
1984 — Fundação em Quilombo (SC); madeireira familiar.
1986 — Sede transferida para Palmas (PR); foco em compensados para exportação.
2002 — Nova fábrica de compensados em Santa Cecília (SC).
2009 — Início da produção de MDF em Caçador (SC).
2016 — Ampliação do parque de MDF em Caçador.
mai/2023Linha MDF 3: maior planta de MDF das Américas (1,14 milhão m³/ano) em Caçador (SC); investimento ~R$ 1 bi.
2024–2025 — Consolidação exportadora (50+ países) e reforço de agenda ESG/certificações.

Mais do que uma sequência de inaugurações, a história da Guararapes mostra o que Santa Catarina constrói quando une disciplina industrial, design de superfície e compromisso ambiental. Fica o reconhecimento — aos fundadores e às novas lideranças, aos times de chão de fábrica e de P&D — por uma obra que começou num barracão de interior e hoje ajuda a mobiliar casas no Brasil e no mundo. Quando a gente trabalha junto, o padrão sobe — e permanece.

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