Se João Rodrigues sair do jogo, o tabuleiro de SC muda inteiro — e o maior beneficiado pode ser Décio Lima

Uma eventual desistência de João Rodrigues da disputa pelo governo de Santa Catarina reorganizaria alianças, pressionaria o PSD a escolher entre neutralidade, composição ou pragmatismo, e teria efeito direto sobre a corrida ao Senado; no desenho atual, Jorginho Mello já tem vice definido com Adriano Silva, Gelson Merísio tenta se firmar como alternativa de centro com apoio da esquerda, e Esperidião Amin insiste em manter sua candidatura ao Senado.

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Se a provável desistência de João Rodrigues de disputar o governo do Estado realmente se confirmar, o tabuleiro político de Santa Catarina muda de forma relevante. Não porque João já tivesse a eleição na mão, mas porque ele ocupa um espaço importante no campo oposicionista de direita e centro-direita — e sua saída deixaria um vazio que ninguém preencheria automaticamente. Aqui, o ponto central é simples: quando um nome competitivo sai da mesa, alguém herda votos, alguém herda estrutura, e alguém lucra mais do que os outros.

O primeiro efeito recai sobre o PSD. O partido passa a ser obrigado a responder uma pergunta desconfortável: vai lançar alguém sabendo que parte da própria base já flerta com a reeleição de Jorginho Mello, ou vai admitir que não tem unidade suficiente para bancar uma candidatura própria? Essa dúvida não é abstrata. Até poucas semanas atrás, o noticiário catarinense tratava João como nome praticamente certo do PSD ao governo, inclusive com reflexos da estratégia nacional do partido.

Se o PSD optar por não ter candidato, a pergunta seguinte será inevitável: quem apoiar e o que negociar em troca? Aí começa o jogo real.

Do lado de Jorginho Mello, o espaço de majoritária está muito estreito. O governador já anunciou Adriano Silva (Novo) como vice e o desenho do Senado associado ao seu campo vem sendo tratado como encaminhado, com forte presença de Carlos Bolsonaro e Carol de Toni no entorno da chapa. Isso significa que, para atrair um partido como o PSD, sobrariam menos espaços visíveis na cabeça da chapa e mais negociações de bastidor, governo e estrutura futura.

Na outra ponta aparece Gelson Merísio, e é aqui que a movimentação fica mais interessante. A pré-candidatura dele ao governo vem sendo lida justamente como um instrumento para abrir espaço a Décio Lima ao Senado, com apoio ou convergência da esquerda.

É por isso que, na visão deste portal, um eventual apoio do PSD a Merísio não faria de Merísio favorito contra Jorginho, mas encorparia a candidatura de Décio Lima. Esse é o ponto mais importante da análise. O PSD, como partido do Centrão, tende a flutuar onde percebe maior conveniência e melhor capacidade de influência. Se escolhesse Merísio, provavelmente estaria menos apostando em vitória ao governo e mais ajudando a montar um bloco com musculatura suficiente para tornar o Senado mais competitivo — especialmente para o PT.

E isso respinga diretamente em Esperidião Amin. O senador já reafirmou publicamente que é pré-candidato à reeleição, mesmo depois de ter sido deixado fora do desenho principal do PL.
Mas, se o PSD migrar para um apoio a Merísio com presença da esquerda e foco indireto em Décio, Amin ficaria ainda mais isolado politicamente. E é difícil imaginar que ele se acomode, sem alto custo eleitoral, em um arranjo que envolva PT e lulismo, dado o alinhamento que cultivou com o bolsonarismo nos últimos anos. Nesse cenário, ganharia força a leitura de que o caminho mais racional para Amin seria recuar para uma disputa de deputado federal e reaproximar-se do campo de Jorginho Mello.

E ainda há o MDB, que continua sem definição plena de rumo. O partido segue conversando, medindo bases e avaliando onde terá mais protagonismo. Num cenário de saída de João Rodrigues, o MDB se torna ainda mais valioso — porque passa a ser um dos poucos atores com capilaridade estadual capaz de desequilibrar alianças.

Feita a análise, a opinião do portal é objetiva: se o PSD apoiar Merísio, Merísio ganha corpo, mas não o suficiente para fazer frente real a Jorginho Mello neste momento. O maior beneficiado seria Décio Lima, porque sua candidatura ao Senado passaria a contar com um ambiente político mais robusto, menos pulverizado e com alguma capacidade de capturar votos fora da bolha petista tradicional.

No fim, uma eventual desistência de João Rodrigues não simplifica o jogo. Ela apenas redistribui as forças. E, na redistribuição, o governo continua forte — mas o Senado pode mudar bastante.

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