BR-101 Norte volta ao centro do debate em SC e repete velho drama: sem acordo, não saem as obras
Três décadas depois da grande mobilização pela duplicação, a BR-101 Norte em Santa Catarina volta a simbolizar estrangulamento logístico, risco crescente e impasse político. O problema agora não é mais a pista simples dos anos 90, mas a demora na otimização da concessão, condição considerada essencial para destravar ampliações e intervenções no trecho.

A BR-101 Norte em Santa Catarina voltou à pauta porque a história, em parte, se repete. Nos anos 90, o trecho vivia sob forte pressão: pista limitada, logística travada e um ambiente de insegurança que levou à mobilização popular em favor da duplicação. O Grupo RBS liderou uma campanha pública em defesa da obra, e o movimento virou marco da pressão catarinense por infraestrutura.
Há um dado simbólico que ajuda a entender o tamanho daquele momento: material histórico registra que o abaixo-assinado capitaneado pela RBS entre 1994 e 1995 reuniu mais de 1 milhão de assinaturas em defesa da duplicação do trecho norte entre Palhoça e Garuva. Era um Brasil analógico, sem mobilização digital, e mesmo assim o tema ganhou escala de causa estadual.
A duplicação saiu do papel e mudou a rodovia. Mas o que resolveu o problema de ontem já não atende ao volume de hoje. O crescimento de Santa Catarina, somado ao fluxo vindo de Paraná e Rio Grande do Sul, recolocou a BR-101 Norte em condição de saturação. A FIESC resume isso de forma direta: a duplicação concluída no início dos anos 2000 parecia ter encerrado o sofrimento, mas “a alegria durou pouco”.
O efeito aparece em dois pontos que pesam no bolso e na vida: logística e segurança. Em 2025, a BR-101 foi apontada como a rodovia federal mais letal de Santa Catarina, com 147 mortes, segundo levantamento repercutido pelo ND Mais com base em dados da PRF. Outro recorte mostrou que um trecho de apenas 40 km no Litoral Norte concentrou mais mortes do que todo o trecho Sul da BR-101 em SC, evidenciando o novo gargalo da rodovia.
O centro do impasse hoje está no contrato. O Ministério dos Transportes protocolou no TCU, em abril de 2025, o projeto de otimização do contrato de concessão da Arteris Litoral Sul, que administra o trecho desde 2008. A proposta é vista como caminho para viabilizar novos investimentos e resolver pontos críticos, incluindo ampliações no Norte e obras sensíveis em Santa Catarina. Sem esse redesenho contratual, a ampliação estrutural da BR-101 Norte segue travada.
É nesse contexto que entram as pressões políticas. O senador Esperidião Amin vem cobrando do Ministério dos Transportes e do ministro Renan Filho uma definição sobre a ampliação da BR-101 Norte e outras obras rodoviárias em SC. A cobrança existe porque, sem acordo entre governo, concessionária e órgãos de controle, a rodovia continua operando abaixo da necessidade real do Estado.
Enquanto a negociação se arrasta, a economia e os usuários pagam a conta. Santa Catarina produz, exporta, atrai turismo, distribui mercadorias e depende da BR-101 como eixo vital. Quando esse eixo trava, trava junto uma parte importante do dinamismo do Estado. Por isso o tema voltou com força: não se trata apenas de trânsito ruim, mas de competitividade perdida, tempo desperdiçado e risco maior para quem usa diariamente a estrada.
No fim, a BR-101 Norte voltou à pauta porque o passado ensinou uma lição simples: quando a infraestrutura deixa de acompanhar o crescimento, o custo aparece rápido. A diferença é que, desta vez, ninguém discute mais a necessidade da obra. O que falta é destravar o contrato para que ela finalmente aconteça.
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