Copom começa reunião sob pressão e, na visão deste portal, o mais técnico é manter a Selic em 15% ao ano

O Copom iniciou nesta terça-feira (16) a reunião que será concluída amanhã, e o ambiente segue carregado por inflação ainda pressionada, dúvidas fiscais e pelo choque externo do petróleo em meio à guerra no Golfo. Embora parte do mercado fale em corte entre 0,25 e 0,50 ponto, este portal entende que a decisão tecnicamente mais consistente é manter a Selic em 15% ao ano.

Imagem gerada por IA

O Comitê de Política Monetária do Banco Central começou hoje mais uma rodada decisiva e encerra amanhã a reunião que definirá o rumo da taxa Selic para o próximo período. A ata, como de costume, deve ser publicada na terça-feira seguinte, conforme o calendário oficial do Banco Central.

Muito se falou nos últimos dias sobre o início de um ciclo de cortes, com apostas entre 0,25 e 0,50 ponto percentual. Isso até pode acontecer. Mas, no entendimento deste portal, se ocorrer será muito mais um aceno de otimismo do que uma resposta estritamente aderente ao quadro técnico atual.

A razão principal é simples: a inflação não arrefeceu de forma confortável. O próprio IBGE mostra que o IPCA de fevereiro de 2026 ficou em 0,70%, com a inflação acumulada em 12 meses em 3,81%. É verdade que o número permanece dentro da banda do sistema de metas, mas está longe de representar um ambiente de tranquilidade absoluta, especialmente porque segue mais perto da parte alta do que da meta central.

O segundo ponto é fiscal. O governo ainda convive com dúvidas relevantes sobre sua capacidade de entregar um resultado primário equilibrado ao longo do ano. Houve superávit do governo central em janeiro de 2026, o que é um dado positivo, mas isso não encerra a discussão sobre a trajetória fiscal dos próximos meses, principalmente diante da pressão permanente sobre despesas e da dificuldade estrutural de ajuste das contas públicas.

E há um terceiro elemento que pesa muito neste momento: o choque externo do petróleo. A guerra envolvendo EUA/Israel e Irã elevou o risco no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo, segundo a EIA. O próprio órgão americano destaca que uma interrupção prolongada ali é o principal risco de continuação da alta dos preços.

Esse fator importa muito para o Brasil. Somos um país com dependência elevada do transporte rodoviário, o que significa que combustível mais caro pressiona frete, alimentos e cadeia logística de forma quase automática. Em outras palavras: a origem do problema é externa, mas o reflexo inflacionário pode bater rápido aqui dentro.

Por isso, a leitura deste portal é objetiva: mantido o critério técnico que historicamente pautou o Copom, a Selic deveria permanecer em 15% ao ano. Num ambiente de inflação ainda sensível, incerteza fiscal e petróleo em disparada, iniciar cortes agora parece prematuro.

Se vier redução, será um gesto político-econômico de sinalização. Se vier manutenção, será a confirmação de que o Banco Central segue olhando mais para o risco concreto do que para a vontade do mercado.

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