Uma discussão ineficaz em torno da maratona de jogos estabelecida nos últimos dias para os jogadores do Figueirense. O clube de Florianópolis jogou pela Copa do Brasil em Manaus na quinta-feira (12), retornou para Florianópolis na sexta – e só quem faz a viagem sabe como é este retorno – descansou (?) no sábado, jogou e perdeu a Recopa Catarinense no domingo (15) para o Avaí e já se mandou na tarde de segunda-feira (16) para o Nordeste, com direito à um treinamento em Recife. Só depois disso num “voo” rasteiro de quatro horas, foi para Maceió onde enfrentará o Clube de Regatas Brasil nesta quarta (18) também pela Copa do Brasil.

Um calendário desumano cujas consequências são agravadas pela insolvência emocional, técnica, administrativa e tudo mais com que se queira contemplar o tradicional clube catarinense.

Mas quem e como tentou resolver, ou pelo menos amenizar a situação?

É sabido que o Figueirense está com sua administração à deriva, vendendo o almoço para garantir o jantar. “E quem vive de esmola, de esmola viverá” diz aquele velho e popular ditado. Então não tem quem reclame e nem para quem reclamar.

Outro dia vi um cidadão vestindo uma camisa com a inscrição: “Sou idoso. A outra opção era pior”. Se bem me entendem, a outra opção era ter morrido.

É o caso do Figueirense. Passou por tudo isso por ganhar do Amazonas, uma opção bem melhor do que ter perdido e morrido na Copa do Brasil.

Quem tem razão?

Ouço os colegas da mídia esportiva reclamando que as regras estabelecidas no futebol, com a punição a algumas atitudes praticadas pelos jogadores em campo (como parar sobre a bola, chutar a bandeirinha de escanteio e provocar os torcedores adversários) e o final das entrevistas dentro do gramado antes durante e depois dos jogos deixa o futebol muito chato.

Mas na verdade o futebol está chato de se ver, não é por isso. Os intermináveis programas de debate de futebol na TV, YouTube, Podcasts, Redes Sociais e afins entendiam 24 horas no ar. Nas transmissões, palavrões, berros e xingamentos de toda sorte inundam as novas gerações que ainda têm algum apreço pelo futebol.

Isso sem falar nos abomináveis entendidos no mais popular esporte no país.

Logo, é preciso avaliar o que está mais chato. O futebol dentro ou fora de campo?

Peso final

O número é limitado e quem está dentro não quer sair, para quem estar fora poder entrar. O italiano Carlo Ancelotti fez mais uma convocação, a última antes da final para a Copa, deixando no ar muitas incertezas. Sem esconder que ainda tem dúvidas na defesa, no meio-campo e uma pequena sombra no ataque, o treinador da Seleção Brasileira parece estar consciente da responsabilidade que tem. Num país onde só a vitória recompensa, não ganhar uma Copa do Mundo deixa uma marca inapagável.

Como os jogos contra França e Croácia serão apenas no final do mês, nos Estados Unidos, quem ficou fora ainda pode torcer pelo ditado que garante que os últimos podem ser os primeiros. Neymar, entre eles.

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